descobre o topo da vista desarmada. ansiosa chegada, repetida partida. descobre o topo da partida e da chegada. grossa caminhada, profunda perdição.
segunda-feira, junho 11, 2007
domingo, junho 03, 2007
terça-feira, maio 01, 2007
quarta-feira, abril 11, 2007
De elevador
M. saiu do café onde passara toda a manhã a trabalhar e também a servir cafés, a tudo quanto é gente e também a tudo quanto não é gente. Todos, sem excepção, tiveram o cuidade de no fim pagar a sua conta. Desta vez ninguém fugiu e isso deixou a manhã com aquele travo de monotonia que tende a acumular-se nos cantos das casas, de cor esverdeada e que se atribui erradamente à humidade.
Desceu o degrau da porta do café, que normalmente dá para a rua, mas que agora antecede a porta do elevador de um edifício, presumivelmente do edifício do próprio café. M. não tem outra hipótese senão chamar o elevador. A luz do botão acende-se, previsível. Alguns rangidos e alguns segundos depois ouve o plim que antecede a abertura das portas. Entra no elevador sem alternativa - a porta de onde antes saira está fechada e opaca - e depara com 3 paredes de espelhos. Só existe um botão que M. carrega e que com culpa de algum nervosismo envia para interior (ou para o exterior) do elevador. Ainda assim o cubículo começa a mover-se. Sobe, lenta e constantemente. A viagem prossegue, predefinida e rodeada de um infinito absurdo. Quando finalmente ocorre a M. olhar para cima verifica que o elevador não tem tecto e consegue ver o fim da viagem que lentamente se aproxima. M. deseja que o elevador pare antes de chegar ao tecto atravessado pelos cabos que puxam lentamente o elevador sem tejadilho. Mas não há intenções de abrandamento do ritmo lento. O tecto está já à altura do peito e o chão do elevador continua a subir enquanto as paredes absurdas se dissolvem no tecto áspero. M. senta-se no chão e sem desespero consegue ainda sentir um morno aconchego do cheiro a mofo do canto esverdeado.
O chão esvoaça e M. reencontra-se agora sentado no degrau que dá para a rua a partir da porta do café. Um carro passa e cospe-lhe uma poça de água.
Desceu o degrau da porta do café, que normalmente dá para a rua, mas que agora antecede a porta do elevador de um edifício, presumivelmente do edifício do próprio café. M. não tem outra hipótese senão chamar o elevador. A luz do botão acende-se, previsível. Alguns rangidos e alguns segundos depois ouve o plim que antecede a abertura das portas. Entra no elevador sem alternativa - a porta de onde antes saira está fechada e opaca - e depara com 3 paredes de espelhos. Só existe um botão que M. carrega e que com culpa de algum nervosismo envia para interior (ou para o exterior) do elevador. Ainda assim o cubículo começa a mover-se. Sobe, lenta e constantemente. A viagem prossegue, predefinida e rodeada de um infinito absurdo. Quando finalmente ocorre a M. olhar para cima verifica que o elevador não tem tecto e consegue ver o fim da viagem que lentamente se aproxima. M. deseja que o elevador pare antes de chegar ao tecto atravessado pelos cabos que puxam lentamente o elevador sem tejadilho. Mas não há intenções de abrandamento do ritmo lento. O tecto está já à altura do peito e o chão do elevador continua a subir enquanto as paredes absurdas se dissolvem no tecto áspero. M. senta-se no chão e sem desespero consegue ainda sentir um morno aconchego do cheiro a mofo do canto esverdeado.
O chão esvoaça e M. reencontra-se agora sentado no degrau que dá para a rua a partir da porta do café. Um carro passa e cospe-lhe uma poça de água.
sábado, abril 07, 2007
"A realidade"
"O senhor Henri disse:
... é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
... mas é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
... muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida - disse o senhor Henri.
... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto."
Gonçalo M. Tavares em O Senhor Henri
.JPG)
... é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
... mas é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
... muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida - disse o senhor Henri.
... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto."
Gonçalo M. Tavares em O Senhor Henri
sexta-feira, abril 06, 2007
sábado, março 17, 2007
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes.
Eugénio de Andrade
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes.
Eugénio de Andrade
terça-feira, março 13, 2007
"A uniformidade estatística não é de modo algum um ideal científico inócuo, e sim o ideal político, agora já não secreto, de uma sociedade que, inteiramente submersa na rotina do quotidiano, aceita pacificamente a concepção científica inerente à sua própria existência."
Hannah Arendt, A Condição Humana, pp58
Hannah Arendt, A Condição Humana, pp58
quarta-feira, março 07, 2007
Apenas amor
O Tó é bruto
Mas apenas por questões de segurança porque se o não fosse
Para alem de triste, teria consciência da sua tristeza
O Tó é frio
Mas apenas por questões de relacionamento porque se o não fosse
Para além de isolado, teria consciência do seu isolamento
Mas o Tó tem amor
Sem nenhum mas
Nem nenhum apenas
para além do apenas
amor de sussurrar ao ouvido
Mas apenas por questões de segurança porque se o não fosse
Para alem de triste, teria consciência da sua tristeza
O Tó é frio
Mas apenas por questões de relacionamento porque se o não fosse
Para além de isolado, teria consciência do seu isolamento
Mas o Tó tem amor
Sem nenhum mas
Nem nenhum apenas
para além do apenas
amor de sussurrar ao ouvido
domingo, fevereiro 18, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
domingo, janeiro 28, 2007
terça-feira, novembro 28, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
ausência
onde estás tu
xô, VAI-TE AUSENCIA!
onde estás tu?
não desapareces ausência
tu não morres ausência
sempre foi impossível
mas agora vejo que já não
estás dissolvido na água gelada
que cai em lágrimas de ausência
sobre a cidade anónima
molhas-nos ausência
mudas-nos a cor
molhas-me por fora
e enregelas-me por dentro
xô, VAI-TE AUSENCIA!
onde estás tu?
não desapareces ausência
tu não morres ausência
sempre foi impossível
mas agora vejo que já não
estás dissolvido na água gelada
que cai em lágrimas de ausência
sobre a cidade anónima
molhas-nos ausência
mudas-nos a cor
molhas-me por fora
e enregelas-me por dentro
sexta-feira, outubro 20, 2006
som
quinta-feira, outubro 12, 2006
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)














