Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes.
Eugénio de Andrade
descobre o topo da vista desarmada. ansiosa chegada, repetida partida. descobre o topo da partida e da chegada. grossa caminhada, profunda perdição.
sábado, março 17, 2007
terça-feira, março 13, 2007
"A uniformidade estatística não é de modo algum um ideal científico inócuo, e sim o ideal político, agora já não secreto, de uma sociedade que, inteiramente submersa na rotina do quotidiano, aceita pacificamente a concepção científica inerente à sua própria existência."
Hannah Arendt, A Condição Humana, pp58
Hannah Arendt, A Condição Humana, pp58
quarta-feira, março 07, 2007
Apenas amor
O Tó é bruto
Mas apenas por questões de segurança porque se o não fosse
Para alem de triste, teria consciência da sua tristeza
O Tó é frio
Mas apenas por questões de relacionamento porque se o não fosse
Para além de isolado, teria consciência do seu isolamento
Mas o Tó tem amor
Sem nenhum mas
Nem nenhum apenas
para além do apenas
amor de sussurrar ao ouvido
Mas apenas por questões de segurança porque se o não fosse
Para alem de triste, teria consciência da sua tristeza
O Tó é frio
Mas apenas por questões de relacionamento porque se o não fosse
Para além de isolado, teria consciência do seu isolamento
Mas o Tó tem amor
Sem nenhum mas
Nem nenhum apenas
para além do apenas
amor de sussurrar ao ouvido
domingo, fevereiro 18, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
domingo, janeiro 28, 2007
terça-feira, novembro 28, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
ausência
onde estás tu
xô, VAI-TE AUSENCIA!
onde estás tu?
não desapareces ausência
tu não morres ausência
sempre foi impossível
mas agora vejo que já não
estás dissolvido na água gelada
que cai em lágrimas de ausência
sobre a cidade anónima
molhas-nos ausência
mudas-nos a cor
molhas-me por fora
e enregelas-me por dentro
xô, VAI-TE AUSENCIA!
onde estás tu?
não desapareces ausência
tu não morres ausência
sempre foi impossível
mas agora vejo que já não
estás dissolvido na água gelada
que cai em lágrimas de ausência
sobre a cidade anónima
molhas-nos ausência
mudas-nos a cor
molhas-me por fora
e enregelas-me por dentro
sexta-feira, outubro 20, 2006
som
quinta-feira, outubro 12, 2006
domingo, outubro 08, 2006
Não existe maior confusão
Não existe maior confusão em mim do que as palavras dos pensamentos que se amontoam na espera pela ordem de entrada e as frases e os nacos de frases que sobressaem na sua decomposição rápida e luminescente. Por vezes nem chegam a formar-se palavras. Por vezes são as ideias ou pré-ideias, ideias de ideias, premonições de ideias, adivinhações, sextos sentidos, impressões que se sentem, cheiram, não se vêm ou tocam mas deixam uma marca suficiente para abalar qualquer estrutura que esteja em construção, como uma brisa de tempestade que derruba a construção de um farol.
sexta-feira, outubro 06, 2006
hoje vi-te
hoje vi-te ao longe
entre os ombros, cabeças e pescoços
ondulantes da multidão
sorrias de perfil
vinhas e desaparecias
na multidão
na ondulação
aparecias e ias
na memória errante
histérica incerta
eras tu sim
não eras
era tal e qual sim
não era
de certeza mesmo que sim sim
não
não recordo, não relembro, não ressurge
nariz, lábios, olhos, o sorriso
na névoa sebastianista
entre os ombros, cabeças e pescoços
ondulantes da multidão
sorrias de perfil
vinhas e desaparecias
na multidão
na ondulação
aparecias e ias
na memória errante
histérica incerta
eras tu sim
não eras
era tal e qual sim
não era
de certeza mesmo que sim sim
não
não recordo, não relembro, não ressurge
nariz, lábios, olhos, o sorriso
na névoa sebastianista
domingo, setembro 24, 2006
espiral do desespero triste sem fundamento
Quero chorar, não consigo.
As lágrimas cristalizam nos olhos
Afiadas pedras de sal
arrastam-se lentamente na fronteira de mim
Gotejam escorrem descem até ao peito
onde acumulam
atritam
aziam
irritam
Onde renascem
em vapores de cebola infértil
que cristalizam, precipitam
Pedras de sal
peneiradas no olhar pelo olhar
As lágrimas cristalizam nos olhos
Afiadas pedras de sal
arrastam-se lentamente na fronteira de mim
Gotejam escorrem descem até ao peito
onde acumulam
atritam
aziam
irritam
Onde renascem
em vapores de cebola infértil
que cristalizam, precipitam
Pedras de sal
peneiradas no olhar pelo olhar
quinta-feira, setembro 14, 2006
domingo, setembro 03, 2006
a lembrança do sal
Reparo nos teus olhos cansados
Uma faísca sobressai no olhar habitual
Luz brilhante de um passado recente
Uma lágrima feliz
Uma lágrima presa
Reparo, já com o olhar pesado e cansado
No teu corpo moreno ensardado
Vestígios de um passado recente
Um bronze bonito
Um bronze com termo
Reparo no meu corpo cansado
Na barba comichosa
Na roupa mal cheirosa
No cabelo desgrenhado
Nos olhos areados
Reparo, e solta-se uma lágrima
De uma fonte improvável
Mas constante
Uma lágrima livre
Dos corpos cansados, sujos ou limpos
Uma lágrima que não interessa
Porque não há ninguém
Ninguém existe neste momento
Apenas o brilho
O teu brilho
A transparência
A liquidez eterna que tudo une
E o sal
O tão intenso e distinto sal
Uma faísca sobressai no olhar habitual
Luz brilhante de um passado recente
Uma lágrima feliz
Uma lágrima presa
Reparo, já com o olhar pesado e cansado
No teu corpo moreno ensardado
Vestígios de um passado recente
Um bronze bonito
Um bronze com termo
Reparo no meu corpo cansado
Na barba comichosa
Na roupa mal cheirosa
No cabelo desgrenhado
Nos olhos areados
Reparo, e solta-se uma lágrima
De uma fonte improvável
Mas constante
Uma lágrima livre
Dos corpos cansados, sujos ou limpos
Uma lágrima que não interessa
Porque não há ninguém
Ninguém existe neste momento
Apenas o brilho
O teu brilho
A transparência
A liquidez eterna que tudo une
E o sal
O tão intenso e distinto sal
terça-feira, agosto 08, 2006
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)






















